sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mau-humor



 Em grego, Mal Humor (mau assim, com L e não com U) significa Distimia. O filósofo Sêneca tentou desprezar o termo Distimia por crer que o latim não necessitava importar palavras de outra língua e escreveu um belíssimo trabalho intitulado “A Tranqüilidade da Alma”. Mas, a despeito da belíssima descrição do tipo psicológico depressivo e melancólico, Sêneca não conseguiu expressão latina que completasse a idéia de Distimia. 
 A Distimia é um quadro depressivo crônico, incluído na CID.10 (Classificação Internacional das Doenças) nos Transtornos Persistentes do Humor. Ela se apresenta com sintomas de intensidade leve, se inicia em idade jovem e precoce e traz sofrimento e prejuízos significativos para a própria pessoa e para as de seu convívio normalmente familiar e ocupacional.
 Sendo o mau humor um estado crônico e persistente, estando ele relacionado à afetividade, poderíamos atribuí-lo à algum traço de personalidade. Um traço de personalidade é um atributo estável e persistente da personalidade que acaba se refletindo em seu comportamento e atitude diante da vida, do mundo e da realidade. Os traços da personalidade caracterizam a maneira da pessoa SER e não da pessoa ESTAR.
Na personalidade, o que se considera “temperamento” seria o atributo mais relacionado ao mau humor, logo, à Distimia. O termo "temperamento" diz respeito ao componente genético ou constitucional que define as características dos impulsos e do afeto
 A Distimia normalmente é acompanhada de sentimentos de inadequação, perda generalizada do interesse ou prazer, retraimento social, sentimentos de culpa ou preocupação acerca do passado, sensações subjetivas de irritabilidade ou raiva excessiva. Essas são características também das pessoas mau-humoradas.
Quando a pessoa sofre com sua maneira “mala” de ser, lamenta pelo seu mau humor, e gostaria até de melhorar, dizemos que ela é ego-distônica com sua personalidade ou descontente consigo mesma. Ao contrário, quando mesmo diante do apelo de todos para que mude sua maneira de ser, quando opiniões sobre sua chatice são unânimes e ela própria não se considera mau humorada, chamamos de ego-sincrônica à sua maneira de ser.
 Assim como tem sido extremamente raro a pessoa reconhecer ser pessimista (quase todos pessimistas se acham realistas), também os mau-humorados costumam negar sua chatice crônica, buscando justificar no cotidiano e nas circunstâncias as causas para seu ''azedo''. Essas justificativas vão desde uma simples dor de dentes até um pneu furado, mas os clínicos que têm experiência em serviços de emergência sabem que o estado de humor varia de pessoa para pessoa, mesmo quando diante da mesma dor, mesmo quando ambas são acometidas de ''cólica renal''. Existem pessoas que sofrem a dor em sua exata proporção (evidentemente não estão felizes), e aquelas que procuram distribuir seu infortúnio ao ambiente em sua volta.

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