sexta-feira, 15 de outubro de 2010



 Era coração, aquele escondido pedaço de ser
onde fica guardado o que se sente e o que se
pensa sobre as pessoas das quais se gosta ?
Devia ser. 
Para tornar mais fácil o desenrolar do pensamento,
ela concordava.
E argumentava de si para si, lembrando músicas e poemas
vagamente vulgares que falavam em coração: 


''Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva...''



''Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver...''



''Pra que chorar
Se o sol já vai raiar
Se o dia vai amanhecer
Pra que sofrer
Se a lua vai nascer
É só o sol se pôr
Pra que chorar
Se existe amor
A questão é só de dar
A questão é só de dor...''



''E de te amar assim muito amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude...''



''Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar...''


Pois, se alguém fazia uma música ou um poema forçosamente
devia ser mais inteligente do que ela, que nunca fizera nada.
Alguém mais inteligente certamente saberia o lugar exato onde
ficam guardadas essas coisas. 
Coração, então, repetiu para si, consumando a descoberta.

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